sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Mais intimista do que o normal

                
A imagem que mais gosto e que representa tanto pra mim.
          Estava com uma saudade tremenda de escrever no blog. Mas pensem num ano difícil, turbulento, com decepções e descobertas, e tomado por um  objetivo tão grande (que quiçá se concretizará em breve) que ocupou todas as lacunas da minha vida - certo ou não, foi uma escolha.
                2015 foi um ano complicado pra inúmeros companheiros meus e muito positivo pra outros. Somei dores com as que meus amigos passavam e muitas coisas se tornaram incômodas pra mim, em especial, a infinidade de privilégios dos quais desfrutamos frente a uma maioria do nosso país e como funciona um dos processos pra que alcancemos parte de nossos sonhos: o vestibular.
                Foi um ano em que o que mais me incomodou foi a ansiedade pra seguir os caminhos do meu maior sonho: alcançar a liberdade. Sim, a liberdade. Fora de todo o senso comum que a grande mídia julga ser essa conquista e, principalmente, fora de qualquer preceito raso - falo daquela liberdade do corpo fazer única e exclusivamente o que a alma manda.
                Quem começou a quebrar minhas amarras foi o feminismo, e é ele que planejo ser a base de um futuro repleto de desconstruções. Na soma final e na conclusão de mais um capítulo, podemos dizer que esse foi um ano de muitos ganhos pro movimento (mais do que movimento, ele pode se tornar uma família). Não há Cunha que nos faça retroceder, não há Casa Grande e Senzala que sufoque a força da mulher negra - e são elas que precisam de maior visibilidade em 2016.
                Foi o primeiro ano em que eu pude dizer observar o desenrolar do meu voto na política. Foi quando eu vi o quão fracas as pessoas podem ser em suas opiniões: assim como alguns que tripudiavam sobre Dilma, hoje, são seus maiores admiradores; outros (muitos outros) votaram na defesa do conservadorismo, uns à procura de uma saída pra um cenário que não lhes agrada e outros na tentativa de retroceder e aumentar privilégios.
                O conservadorismo rolou solto, virou protagonista e ganhou aplausos barulhentos - panelaços e passeatas financiadas via Facebook. Mas o triste é: poucos foram os que encontraram o meio termo. Não, meio termo não é sinônimo de ficar em cima do muro. É sinônimo de defender a democracia mas não esquecer dos inúmeros déficits governamentais a serem cobrados pela palavra do povo , por meio de manifestações, por meio do pedido da velha amiga que foi esquecida esse ano: Reforma Política.
                O show de boa qualidade ficou por conta dos secundaristas, da minha geração que me mostrou mais motivos pelos quais lutar e correr atrás.
                Uma virada de ano está longe de mudar nossas vidas do dia pra noite, problemas podem permanecer, assim como alegrias. Mas a vida também pode ser muito mais do que nosso universo particular, precisamos um do outro pelo simples fato de dividirmos aquela que, inclusive, pode muitas vezes desagradar: a sociedade.
                Erro ou acerto, optei por destinar grande parte dos meus sonhos pra ela. Muitos fazem e muitos outros ainda podem fazer isso. O Brasil é, de fato, um país maravilhoso. Maravilhoso só não é aqueles que mandam nele e aquilo que fazem com quem foi privado de voz de ação.
                Perceber a beleza de nosso país pode começar do micro e ir pro macro... Primeiro você olha pras pessoas que escolheu amar e, depois, um simples "bom dia" de um desconhecido na rua pode ser a comprovação que te faltava.
                Se alguém que me leu achou, assim como eu estava achando, que estava sozinho pra mudar e organizar essa bagunça toda, saiba: você não está. Eu estou aqui, assim como várias pessoas estão por aí pra que as encontremos.



                Que, neste ano, nos aconteça aquilo que mais for nos ensinar. Muita luz!