“O feminismo é uma forma de viver individualmente e de lutar coletivamente“ - Simone de Beauvoir
Esse
post tem o objetivo de responder a uma questão levantada em um comentário do
último texto aqui publicado, mas, principalmente, esclarecer uma confusão que
há muito tempo me incomoda.
Quando
o assunto é feminismo, são inúmeras as duvidas, estereótipos e críticas mal
fundamentadas construídas sobre o movimento que há séculos luta pela igualdade
entre os sexos. Nos dias atuais, a mais absurda e que, em minha opinião, atua
para que muitos leigos posicionem-se contra o tema, é o uso do termo “feminazi“
para descrever as feministas ditas “radicais“.
Hoje
em dia, aqueles que destinam seu tempo para atacar os movimentos organizados
por mulheres em prol de sua libertação, usam o adjetivo que une as palavras
feminismo + nazismo como alusão de que muitas feministas pregariam a
superioridade da mulher em relação ao homem em um cenário global, assim como os
nazistas atuavam com o objetivo de estabelecer a superioridade ariana na
Alemanha – exterminando, dessa forma, todos aqueles ditos impuros: judeus,
ciganos, homossexuais, portadores de deficiência física e mental etc.
Mas
a significação nem sempre foi a mesma. A palavra “feminazi“ foi usada pela
primeira vez no início da década de 1990 por Rush Limbaugh - comentarista
político estadunidense que defende posições direitistas e republicanas em seu
programa de rádio - para caracterizar, segundo ele, um tipo específico de
feminista: aquelas que se posicionavam a favor da legalização do aborto, o que,
a seus olhos, seria uma prática de holocausto.
Ou seja, o absurdo e a ignorância histórica
sempre vigoraram. E enquanto não nos preocuparmos em desconstruir padrões pré
estabelecidos e avançar rumo à igualdade, o machismo continuará a existir e a
limitar a liberdade de homens e mulheres.
Não
se sinta ofendida quando for chamada de feminista radical, pois aí mora outro
engano. Ser feminista radical é agir de acordo e defender que o patriarcado é o
culpado por vivenciarmos, ainda nos dias atuais, uma sociedade enraizadamente
machista que levanta a bandeira de uma suposta superioridade masculina.
Feminismo não é o contrário de machismo. Quem cumpre esse papel é o femismo.
É ele quem luta pela superioridade da mulher em relação ao homem, pela inversão do patriarcado
para uma sociedade que eleja a figura feminina como principal, de forma que nos
vinguemos da ideologia que cerceou nossa liberdade por tantos anos. Isso não faz
parte de nosso movimento. Feminismo é igualdade, feminismo é liberdade.
É
nosso dever lutar para que a individualidade de cada cidadão seja respeitada,
para que a violência de gênero seja punida, para que todos aqueles
marginalizados socialmente por desvincularem-se de padrões estabelecidos como
“comuns“ pela comunidade tenham seus direitos garantidos e assegurados por lei,
e para que nós, mulheres, não sejamos vistas como propriedade privada de
ninguém.
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| Isso não é Feminismo. Isso é Feminismo. |
Acho
engraçado como apenas nos envolvemos em lutas de nosso interesse e que
refletem, diretamente, em nosso dia a dia. A dor do outro terá deixado de ser a
nossa? O mundo carece de lutadores.
Deixo aqui um vídeo ótimo, que vale reservar um tempo para assistir.
Espero que tenham gostado! Muita luz pra nós.

Parabéns pelo texto!
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