domingo, 1 de fevereiro de 2015

Não venha com essa de “feminazi“: um esclarecimento


 “O feminismo é uma forma de viver individualmente e de lutar coletivamente“ - Simone de Beauvoir
Esse post tem o objetivo de responder a uma questão levantada em um comentário do último texto aqui publicado, mas, principalmente, esclarecer uma confusão que há muito tempo me incomoda.
Quando o assunto é feminismo, são inúmeras as duvidas, estereótipos e críticas mal fundamentadas construídas sobre o movimento que há séculos luta pela igualdade entre os sexos. Nos dias atuais, a mais absurda e que, em minha opinião, atua para que muitos leigos posicionem-se contra o tema, é o uso do termo “feminazi“ para descrever as feministas ditas “radicais“.
Hoje em dia, aqueles que destinam seu tempo para atacar os movimentos organizados por mulheres em prol de sua libertação, usam o adjetivo que une as palavras feminismo + nazismo como alusão de que muitas feministas pregariam a superioridade da mulher em relação ao homem em um cenário global, assim como os nazistas atuavam com o objetivo de estabelecer a superioridade ariana na Alemanha – exterminando, dessa forma, todos aqueles ditos impuros: judeus, ciganos, homossexuais, portadores de deficiência física e mental etc.
 Mas a significação nem sempre foi a mesma. A palavra “feminazi“ foi usada pela primeira vez no início da década de 1990 por Rush Limbaugh - comentarista político estadunidense que defende posições direitistas e republicanas em seu programa de rádio - para caracterizar, segundo ele, um tipo específico de feminista: aquelas que se posicionavam a favor da legalização do aborto, o que, a seus olhos, seria uma prática de holocausto.
 Ou seja, o absurdo e a ignorância histórica sempre vigoraram. E enquanto não nos preocuparmos em desconstruir padrões pré estabelecidos e avançar rumo à igualdade, o machismo continuará a existir e a limitar a liberdade de homens e mulheres.
Não se sinta ofendida quando for chamada de feminista radical, pois aí mora outro engano. Ser feminista radical é agir de acordo e defender que o patriarcado é o culpado por vivenciarmos, ainda nos dias atuais, uma sociedade enraizadamente machista que levanta a bandeira de uma suposta superioridade masculina. Feminismo não é o contrário de machismo. Quem cumpre esse papel é o femismo.
É ele quem luta pela superioridade da mulher em relação ao homem, pela inversão do patriarcado para uma sociedade que eleja a figura feminina como principal, de forma que nos vinguemos da ideologia que cerceou nossa liberdade por tantos anos. Isso não faz parte de nosso movimento. Feminismo é igualdade, feminismo é liberdade.
É nosso dever lutar para que a individualidade de cada cidadão seja respeitada, para que a violência de gênero seja punida, para que todos aqueles marginalizados socialmente por desvincularem-se de padrões estabelecidos como “comuns“ pela comunidade tenham seus direitos garantidos e assegurados por lei, e para que nós, mulheres, não sejamos vistas como propriedade privada de ninguém. 
Isso não é Feminismo. Isso é Feminismo.
 Acho engraçado como apenas nos envolvemos em lutas de nosso interesse e que refletem, diretamente, em nosso dia a dia. A dor do outro terá deixado de ser a nossa? O mundo carece de lutadores.
Deixo aqui um vídeo ótimo, que vale reservar um tempo para assistir. 


Espero que tenham gostado! Muita luz pra nós.

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